A música e o cérebro

Por Webster Santos

Já existem inúmeras pesquisas que mostram como aprender a tocar um instrumento musical pode mudar para melhor a estrutura e função cerebral. Segundo a neuropsicóloga Catherine Loveday, da Universidade de Westminster, “tocar um instrumento musical estimula o cérebro de uma maneira poderosíssima, e isso se deve à nossa conexão emocional com a música”. A experiência de tocar um instrumento é muito rica e complexa, envolvendo a integração de funções sensoriais como a visão, audição, tato, em conjunto com os movimentos finos. Todo esse processo pode causar alterações cerebrais muito positivas.
E não termina por aí. Aprender a tocar um instrumento musical tem outros benefícios, como:

  • Melhora das relações sociais. Estreita seus laços com outras pessoas;
  • Fortalece a memória e melhora a capacidade de leitura;
  • Tocar música te faz mais feliz;
  • Melhora da habilidade de fazer várias atividades ao mesmo tempo;
  • Aumento do fluxo sanguíneo cerebral;
  • Auxilia na reabilitação do cérebro que sofreu algum tipo de lesão;
  • Diminui estresse e depressão;
  • Fortalece as funções executivas do cérebro.

Seguindo a recomendação: 🎶🎶

Sobre a vitamina D – e outras respostas

Quero agradecer a todos que têm deixado comentários aqui. Algumas das experiências, dúvidas e sugestões compartilhadas, acredito que interessem a mais pessoas, como é o caso da vitamina D. Por isso, resolvi responder numa postagem só.

Como sempre digo, não tenho autoridade para indicar nenhum tratamento. Faço o convencional, com Copaxone, que tem sido bom para mim. Muita gente me escreve sugerindo o tratamento com a vitamina D, mas cada organismo é um. Tenho amigos que fizeram, com resultados diversos. O importante é estar bem. Torço para que cada um, com seu tratamento, possa ter uma vida com qualidade.

# Outras respostas:

Gabriel Rodrigues dos Santos
Ana, sempre acompanhei teu trabalho e também sou portador de esclerose múltipla desde de 2010, tinha 12 anos na época. Hoje não faço mais o tratamento que é cedido pela farmácia do governo do estado e sim com a vitamina D que me permitiu ter uma vida mais tranquila.
– Oi, Gabriel! Obrigada pela sua mensagem. Fico muito feliz por saber que você está bem. Torço para que você continue saudável, cheio de vida. Você é muito jovem e tem muito ainda pela frente para fazer. Um grande abraço!

Talita Costa
Eu sempre fui diferente no meio dos portadores 27 anos, 12 de diagnostico nenhuma sequela! Falar isso já até me trouxe problemas como tipo: “sério, se acha melhor que nós, então me fechei! Bom saber que você também tem uma forma de esclerose como a minha ” mais na dela” também espero uma perda cognitiva bem lenta pra viver essa vida!
– Oi, Talita! Bacana ler suas palavras. Que bom que a sua esclerose é mais amena, não é tão agressiva. Existem graus diferentes de esclerose múltipla, isso é muito bem explicado no texto do dr. Drauzio Varella que compartilhei aqui no blog, na aba “O que é a esclerose múltipla?”, em que ele fala muito bem das diferentes manifestações da doença. Fora isso tem a manifestação em cada organismo.
Eu acho que a notícia de que alguém está bem é sempre bem-vinda e esperançosa. Nós já temos muitos lugares em que as pessoas contam que não estão bem e relatam problemas. A ideia aqui é contar o que tem nos ajudado. E que as pessoas possam ler e se beneficiar disso. Fico muito feliz por você! Continue comentando aqui. Um abraço grande!

Sheila M Carvalho
Oi Ana, estou torcendo por você. Há dois anos tenho estudado muito sobre a esclerose múltipla e graças a Deus existe pessoas como o Dr. Cícero Galle Coimbra e o protocolo com altas doses de vitamina D. Eu já chorei muito lendo os relatos dos pacientes que a doença entrou em remissão. Tudo de melhor para você! _/_
– Sheila, querida, sempre fico feliz ao saber das pessoas que estão em remissão, que elas estão conseguindo viver bem. E que a gente pode dar dicas de coisas que nos fizeram bem: músicas, coisas ligadas à arte.

Maria Marques
Adoro a Ana Beatriz e resolvi conhecer o blog pq tenho uma conhecida com esclerose múltipla, mas nem ela nem a família falam do assunto!
– Oi, Maria! Bacana você se interessar pela sua amiga, isso é uma prova de amizade. Mas a gente também tem que respeitar quando o outro não quer falar sobre o assunto. Provavelmente é porque ele está melhor assim. Você querer se informar é bacana porque, além de ser uma demonstração de carinho, você entende melhor o que sua amiga tem. A gente tem só que respeitar quem não quer falar, que está descobrindo ainda qual tipo de EM tem. Às vezes a questão não é o tipo de esclerose múltipla, mas é que o impacto que ela tem sobre a vida de cada pessoa é diferente. Então a gente precisa olhar pra vida daquela pessoa e entender o impacto que aquilo tem pra ela para além do diagnóstico.

A aprovação de medicamentos para esclerose múltipla pelo CONITEC e a realidade brasileira

Por João Roberto Lima Paulon

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), criada pela Lei nº 12.401, de 28 de abril de 2011, que dispõe sobre a assistência terapêutica e a incorporação de tecnologia em saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), é um órgão colegiado de caráter permanente, integrante da estrutura regimental do Ministério da Saúde, tem por objetivo assessorar o Ministério nas atribuições relativas à incorporação, exclusão ou alteração pelo SUS de tecnologias em saúde, bem como na constituição ou alteração de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas.

Os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) são os documentos oficiais do SUS para estabelecer os critérios para o diagnóstico de uma doença ou agravo à saúde; o tratamento preconizado, com os medicamentos e demais produtos apropriados, quando couber; as posologias recomendadas; os mecanismos de controle clínico; e o acompanhamento e a verificação dos resultados terapêuticos a serem seguidos pelos gestores do SUS.

O objetivo de um PCDT é garantir o melhor cuidado de saúde possível diante do contexto brasileiro e dos recursos disponíveis no Sistema Único de Saúde, de forma a garantir sua sustentabilidade. Podem ser utilizados como materiais educativos aos profissionais de saúde, auxílio administrativo aos gestores, regulamentação da conduta assistencial perante o Poder Judiciário e explicitação de direitos aos usuários do SUS.

Os PCDT devem incluir recomendações de diagnóstico, condutas, medicamentos ou produtos para as diferentes fases evolutivas da doença ou do agravo à saúde de que se tratam, bem como aqueles indicados em casos de perda de eficácia e de surgimento de intolerância ou reação adversa relevante, provocadas pelo medicamento, produto ou procedimento de primeira escolha. A nova legislação reforçou a utilização da análise baseada em evidências científicas para a elaboração dos PCDT, explicitando os critérios de eficácia, segurança, efetividade e custo-efetividade para a formulação das recomendações sobre intervenções em saúde.

Para a constituição ou alteração dos PCDT, a Portaria GM n° 2.009 de 2012 instituiu na CONITEC uma Subcomissão Técnica de Avaliação de PCDT, com as competências de definir os temas para novos PCDT, acompanhar sua elaboração, avaliar as recomendações propostas e as evidências científicas apresentadas, além da revisão periódica dos PCDT vigentes, em até dois anos. A Subcomissão Técnica de Avaliação de PCDT é composta por representantes de Secretarias do Ministério da Saúde interessadas na elaboração de diretrizes clínicas: Secretaria de Atenção à Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria Especial de Saúde Indígena e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos.

Recentemente, o Ministério da Saúde tornou pública em 06 de abril deste ano (2018), a portaria de atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Esclerose Múltipla.

Foram incluídos nesta portaria o Aubágio (Teriflunomida) e o Tecfidera (Fumarato de dimetila) que antes eram disponibilizados através do Poder Judiciário, considerando que ambos os medicamentos já estavam aprovados pela ANVISA.

Como acompanhamos a Associação de Portadores de Esclerose Múltipla desde 2009, verificamos várias inclusões de medicamentos, entre eles o Fingolimode, que embora tenha sido incluído em 2016, são necessárias e abundantes as ações judiciais para garantir a efetivação da política pública aprovada, pois em nossa experiência de acompanhar os casos verificamos que se tornou a regra a falta do medicamento, mesmo os aprovados pelo CONITEC.

O aumento crescente de demandas para os novos medicamentos em comparação a compra realizada, a falta de uma projeção de aumento de demanda e falta de planejamento para novas compras são alguns dos problemas verificados.

Independentemente se a política pública é oficializada ou é através de decisões individuais, tudo se redunda em um processo de compra, e se não há verba alocada ou interesse do gestor para dar andamento aos processos, haverá falta do medicamento e o acompanhamento judicial continuará sendo necessário.

Para se ter uma ideia, desde 2015 existe um processo no Estado do Rio de Janeiro para garantir o Fampyra (Fampridina) aos pacientes com dificuldades de deambulação e até hoje nenhum comprimido foi entregue. Os pacientes conseguem acesso ao medicamento mediante sequestro de valores do Estado do Rio de Janeiro.

E este quadro da falta de medicamentos vai se tornar mais agudo com a aprovação da Emenda Constitucional 95 que limita por 20 (vinte) anos os gastos públicos de saúde.

Fonte: http://www.paulon.adv.br/a-aprovacao-de-medicamentos-para-esclerose-multipla-pelo-conitec-e-a-realidade-brasileira/