O que é a esclerose múltipla?

Por Drauzio Varella

Esclerose múltipla é um distúrbio inflamatório crônico do sistema nervoso central, caracterizado por surtos recorrentes de atividade imunológica que agridem a camada de mielina que envolve os nervos (como a capa em volta da fiação elétrica de uma casa). A causa é desconhecida. Não é doença infecciosa nem contagiosa. Como em outras doenças autoimunes, há predomínio entre as mulheres. A proporção é de três para cada homem. Embora existam fatores genéticos envolvidos, a maioria dos pacientes não relata casos na família. Nada que o indivíduo possa ter feito ou deixado de fazer impede o aparecimento da doença. Os primeiros sintomas geralmente se instalam entre os 20 e os 40 anos. Os principais são:

1) Sensitivos: perda de sensibilidade em áreas do corpo, sensações de formigamento, picadas de agulha, dor, tontura, visão dupla ou embaçada e dor ao movimentar os olhos.

2) Motores: fraqueza muscular, dificuldade para andar, tremores, dificuldade ou premência para urinar ou evacuar, falta de coordenação motora e rigidez muscular.

3) Outros: sensibilidade ao calor, fadiga, alterações emocionais e cognitivas, depressão e sintomas sexuais.

O curso natural é caracterizado por períodos de relativa estabilidade durante meses ou anos, interrompidos por surtos de piora com dias ou semanas de duração, fases chamadas de ataque, exacerbação ou recaída.

De acordo com elas, a evolução pode ser classificada como:

1) Remissão e recaída: os ataques provocam sintomas que regridem parcialmente ou desaparecem. No intervalo, o quadro permanece estável.

2) Progressão secundária: depois de alguns anos de remissões/recaídas, o padrão de evolução se modifica para um agravamento progressivo, porém com menos recaídas.

3) Progressiva primária: Instalação gradual desde o início, sem ataques identificáveis.

4) Recaída progressiva: forma rara caracterizada por um curso progressivo inicial, seguido por ataques em fases mais tardias da evolução.

5) Fulminante: forma rara e grave, de progressão rápida.

Não há exames laboratoriais para diagnosticar a doença. Os especialistas costumam se basear nos critérios de McDonald, que levam em conta o número de ataques e o tempo de aparecimento e a localização espacial das lesões cerebrais, identificadas por ressonância magnética.

O tratamento requer intervenções múltiplas. Tem como objetivo tratar as recaídas, prevenir novos ataques e aliviar os sintomas que interferem com a qualidade de vida.

Nos últimos anos, surgiram diversos medicamentos com atividade contra os fenômenos inflamatórios que agridem a camada de mielina, responsáveis pelas remissões e recaídas.

Essas drogas têm custo alto, e estão associadas a efeitos colaterais indesejáveis que precisam ser avaliados caso a caso.